Lôro, o frequentador de velórios, tem enterro solitário

Apenas um irmão e três sobrinhos passaram a noite no velório de Moacir Stefanini, o popular Lôro, que morreu na tarde de segunda-feira no Hospital São Lourenço, de Mandaguaçu, aos 81 anos, vítima de complicações renais, uma ironia para um homem que durante 40 anos frequentou a maioria dos velórios acontecidos em Maringá. O sepultamento, às 15h30, também foi assistido por um número pequeno de pessoas, a maioria parentes e representantes do Asilo São Vicente de Paula, de Mandaguaçu, onde Lôro viveu os últimos anos.
Portador de uma deficiência mental leve desde a infância, consequência do Mal de Simioto, Loro chegou a ser uma das figuras mais conhecidas de Maringá devido à mania de comparecer a todos os velórios que aconteciam na cidade. “Depois de tomar o café da manhã, ele corria para as funerárias para saber quem tinha morrido”, disse o irmão Nino. “Como ele conhecia quase todo mundo na cidade, achava rapidamente a casa do defunto e corria para lá”.
Era uma correria para quando aconteciam várias mortes no mesmo dia e muitas vezes o frequentador de velórios patrocinou tumultos ao revelar, em público, segredos do morto.
Lôro era filho do pioneiro José Stefanini, que chegou a Maringá no início dos anos 50 e por muitos anos morou em um casarão da Rua Marcelino Champagnat, em frente ao Colégio Marista. Na época, os velórios aconteciam nas casas e Lôro, que chegou a Maringá com 20 anos, sabia onde morava boa parte das famílias maringaenses. Como logo cedo se informava nas duas (e depois três) funerárias, muitas vezes chegava à casa antes que os parentes do morto soubessem da perda. Houve o caso de um jornalista que sofreu por não saber como informar à mulher que a mãe dela havia morrido, mas quando chegou em casa para dar a notícia, Lôro já estava lá e tinha feito o anúncio à família e à vizinhança.
Ninguém soube explicar a mania por velórios, mas Lôro conviveu com a morte a vida inteira. Totalmente dependente da família, ele viu morrer a mãe, depois o pai, passou a morar nas casas dos sete irmãos que tinha e viu um a um morrer. Quem o conheceu de perto, como a sobrinha Ivone e Nelson Barbosa, presidente do asilo, diz que ele tinha medo da morte e sabia que sua hora estava chegando devido ao agravamento dos problemas de rim e das cansativas sessões de hemodiálise. Mas, mesmo muito doente, ele tinha liberdade para deixar o asilo e ir à capela mortuária de Mandaguaçu sempre que alguém era velado. Tinha até uma cadeira cativa na capela, a mesma capela em que foi velado até ontem à tarde.
1 Comentários:
Desde que eu era bem pequeno que via o Lôro em tudo quanto era enterro que acontecia em Maringá.
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