Geralda, um século sem comer e sem reclamar
No último dia 15, feriado da Proclamação da República, dona Geralda Pereira Gomes vestiu sua melhor roupa, arrumou os cabelos e fez o que faz desde que se lembra por gente: foi à igreja agradecer a Deus. Dessa vez, agradecer pelo seu centésimo aniversário. Aos que quiseram saber o segredo para uma vida tão longa e gozando de boa saúde, ela apresentou uma fórmula simples: comer pouco, afastar-se das vaidades do mundo e ter muita fé em Deus, não necessariamente nessa ordem.
Aos 100 anos, dona Geraldo surpreende os vizinhos, conhecidos e irmãos da Congregação Cristã no Brasil, igreja que ela freqüenta há um século. Ela mora sozinha em uma pequena casa de alvenaria na Rua Clodimar Pedrosa Lô, no bairro Madri, lado sul de Maringá, faz todos os serviços domésticos e quase que diariamente vai sozinha até o centro da cidade pagar contas, fazer compras ou visitar alguma irmã da igreja. E para quem acha que ir sozinha até o centro é muito para uma senhora de um século de vida, é bom saber que ela costuma ir até Minas Gerais para levar artigos doados pela igreja, como roupas e calçados, para os membros da Cristã no Brasil que moram em povoados próximos a Pato de Minas, no Triângulo Mineiro.
O aniversário foi motivo para dona Geralda refletir sobre a vida. Ela chegou à triste constatação que todas as pessoas que conheceu na mocidade já morreram, entre elas, o marido Estevão Batista Nunes, com quem se casou quando tinha 15 anos, se foi há 37 anos. De família, só lhe resta o casal de filhos, que já lhe deram netos e bisnetos.
Ela lembrou a meninice em São Gonçalo do Abaeté, povoado de Patos de Minas, onde conheceu Estevão e juntos saíram em 1923 para se aventurar em São Paulo. Viveram em outros Estados e em 1948, pouco antes de Maringá completar o primeiro ano e ela já tinha 40 anos, o casal chegou de uma viagem de 48 horas por estradas esburacadas em meio à mata à cidade que estava nascendo, sob uma nuvem de uma poeira vermelha como ela nunca tinha visto. Estevão foi trabalhador rural, enquanto Geralda ajudava a completar a renda da casa costurando. “Tínhamos uma vida organizada e conseguimos ter vários imóveis, principalmente no Jardim Alvorada quando o bairro foi aberto”, lembra.
A mulher que viu a cidade nascer, acha que Maringá cresceu demais e perdeu a humanidade dos primeiros dias. “Hoje tem muita gente mal intencionada, muita gente roubando, não se tem mais a tranqüilidade de antigamente”, diz, apontando para a altura dos muros de sua casa, as grades no portão e na área. Geralda acha que viver um século tem suas vantagens, mas as desvantagens também são muitas. “De 200 parentes, hoje tenho apenas um, que mora lá em Minas e já está com 106 anos”, diz.
Aos 100 anos, Geralda Pereira Gomes evita reclamar, dorme pouco, como um quase nada, cuida da casa sozinha e passa o dia fazendo crochê. “É o meu meio de vida, o que completa a pequena aposentadoria”, diz, exibindo colchas, toalhas de mesa, trilhos de mesa, capas de bujão, capas de liquidificador que ela faz para vender. “Ainda tenho energia para fazer essas coisas e sinto que se eu parasse já teria entravado há uns 40 anos”.
Dona Geralda acha que um dos segredos de sua longevidade e vitalidade é comer pouco. “Não como carne, nem arroz, nem feijão, nada disso que se come hoje em dia”. Sua comida de todos os dias é polenta com verdura ou angu de fubá. “Não fico doente, nunca tomei injeção, não tomo nem a vacina contra a gripe, que o governo aplica nos idosos”. Ela diz que só tomou vacina uma única vez, mesmo assim, foi na marra. “Isso foi há muitos anos e foi precisa muita gente para me segurar”.
Na casa não tem rádio, nem TV. “Não sei das coisas do mundo. Nunca tive, por isso não sinto falta”. Enquanto cuida da casa ou trança as linhas do crochê, cantarola hinos religiosos, geralmente muito antigos.Outro dos segredos da centenária senhora é a fé. “Nasci, cresci e vivi a vida inteira na igreja, uma vida dedicada a Deus”. Ela explica que a fé lhe dá forças, principalmente para trabalhar por pessoas “mais necessitadas do que eu”. É pela fé que ela viajava de Maringá à região de Patos de Minas levando caixas e mais caixas de roupas e calçados para distribuir aos pobres. “Em uma dessas viagens eu quebrei o punho, mas nem engessei, deixei curar sozinho”.
Aos 100 anos, dona Geraldo surpreende os vizinhos, conhecidos e irmãos da Congregação Cristã no Brasil, igreja que ela freqüenta há um século. Ela mora sozinha em uma pequena casa de alvenaria na Rua Clodimar Pedrosa Lô, no bairro Madri, lado sul de Maringá, faz todos os serviços domésticos e quase que diariamente vai sozinha até o centro da cidade pagar contas, fazer compras ou visitar alguma irmã da igreja. E para quem acha que ir sozinha até o centro é muito para uma senhora de um século de vida, é bom saber que ela costuma ir até Minas Gerais para levar artigos doados pela igreja, como roupas e calçados, para os membros da Cristã no Brasil que moram em povoados próximos a Pato de Minas, no Triângulo Mineiro.
O aniversário foi motivo para dona Geralda refletir sobre a vida. Ela chegou à triste constatação que todas as pessoas que conheceu na mocidade já morreram, entre elas, o marido Estevão Batista Nunes, com quem se casou quando tinha 15 anos, se foi há 37 anos. De família, só lhe resta o casal de filhos, que já lhe deram netos e bisnetos.
Ela lembrou a meninice em São Gonçalo do Abaeté, povoado de Patos de Minas, onde conheceu Estevão e juntos saíram em 1923 para se aventurar em São Paulo. Viveram em outros Estados e em 1948, pouco antes de Maringá completar o primeiro ano e ela já tinha 40 anos, o casal chegou de uma viagem de 48 horas por estradas esburacadas em meio à mata à cidade que estava nascendo, sob uma nuvem de uma poeira vermelha como ela nunca tinha visto. Estevão foi trabalhador rural, enquanto Geralda ajudava a completar a renda da casa costurando. “Tínhamos uma vida organizada e conseguimos ter vários imóveis, principalmente no Jardim Alvorada quando o bairro foi aberto”, lembra.
A mulher que viu a cidade nascer, acha que Maringá cresceu demais e perdeu a humanidade dos primeiros dias. “Hoje tem muita gente mal intencionada, muita gente roubando, não se tem mais a tranqüilidade de antigamente”, diz, apontando para a altura dos muros de sua casa, as grades no portão e na área. Geralda acha que viver um século tem suas vantagens, mas as desvantagens também são muitas. “De 200 parentes, hoje tenho apenas um, que mora lá em Minas e já está com 106 anos”, diz.
Aos 100 anos, Geralda Pereira Gomes evita reclamar, dorme pouco, como um quase nada, cuida da casa sozinha e passa o dia fazendo crochê. “É o meu meio de vida, o que completa a pequena aposentadoria”, diz, exibindo colchas, toalhas de mesa, trilhos de mesa, capas de bujão, capas de liquidificador que ela faz para vender. “Ainda tenho energia para fazer essas coisas e sinto que se eu parasse já teria entravado há uns 40 anos”.
Dona Geralda acha que um dos segredos de sua longevidade e vitalidade é comer pouco. “Não como carne, nem arroz, nem feijão, nada disso que se come hoje em dia”. Sua comida de todos os dias é polenta com verdura ou angu de fubá. “Não fico doente, nunca tomei injeção, não tomo nem a vacina contra a gripe, que o governo aplica nos idosos”. Ela diz que só tomou vacina uma única vez, mesmo assim, foi na marra. “Isso foi há muitos anos e foi precisa muita gente para me segurar”.
Na casa não tem rádio, nem TV. “Não sei das coisas do mundo. Nunca tive, por isso não sinto falta”. Enquanto cuida da casa ou trança as linhas do crochê, cantarola hinos religiosos, geralmente muito antigos.Outro dos segredos da centenária senhora é a fé. “Nasci, cresci e vivi a vida inteira na igreja, uma vida dedicada a Deus”. Ela explica que a fé lhe dá forças, principalmente para trabalhar por pessoas “mais necessitadas do que eu”. É pela fé que ela viajava de Maringá à região de Patos de Minas levando caixas e mais caixas de roupas e calçados para distribuir aos pobres. “Em uma dessas viagens eu quebrei o punho, mas nem engessei, deixei curar sozinho”.
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